BIOGRAFIA DE CELSO FURTADO

Por Assessoria de Comunicação

Publicação: 19/04/2017 | 22:30

Última modificação: 14/06/2017 | 10:43

Celso Furtado

O homenageado do Prêmio Nacional de Desenvolvimento Regional do ano de 2010, Celso Furtado (C. Monteiro F.), nasceu em Pombal, Paraíba, em 26 de julho de 1920, e faleceu no Rio de Janeiro, em 20 de novembro de 2004. O fato de ser membro de uma família de magistrados e proprietários de terras lhe permitiu desfrutar de uma boa educação, de modo que se tornou Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1944 e Doutor em Economia pela Universidade de Paris (Sorbonne) em 1948. Em 1957, na Inglaterra, realizou estudos de pós-graduação na Universidade de Cambridge.

À frente da Divisão de Desenvolvimento da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) entre 1949 e 1957, contribuiu de forma decisiva para a formulação de uma visão estruturalista da realidade socioeconômica da América Latina. A partir de 1958 até o ano seguinte, ocupou o cargo de Diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) e, naquele mesmo ano, deu início à elaboração do Plano de Desenvolvimento do Nordeste, o qual veio a ser substituído  pela SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), órgão que Celso Furtado dirigiu por cinco anos (1959-64) e que tinha como missão o desenvolvimento econômico e social dessa região. Além disso, foi Ministro do Planejamento durante o governo João Goulart (1962-63) e Ministro da Cultura do governo Sarney (1986-88), época em que formulou a primeira política de incentivos fiscais e fez a defesa da identidade cultural brasileira.

Junto com o Golpe Militar de 1964, veio a cassação de seus direitos políticos pelo período de dez anos. Durante esse tempo, Furtado dedicou-se à vida acadêmica, lecionando Economia do Desenvolvimento e Economia da América Latina em respeitadas Universidades como: Yale (EUA 1964-65), American University (EUA 1972), Cambridge (Inglaterra 1974-75), Columbia (EUA 1976-77) e Sorbonne (França 1965-85).

Foi membro do conselho editorial das revistas Econômica Brasileira (1954-64), Desarollo Económico (Buenos Aires, 1966-70), El Trimestre Econômico (México, 1965), Revista de Economia Política (1981) e Pensamiento Iberoamericano (Madri, 1982). Entre 1978 e 1997, Furtado foi membro do Conselho Acadêmico da Universidade das Nações Unidas, do Committee for Development Planning das Nações Unidas, da South Comission, da Comission Mondiale pour la Culture et le développement e do Comitê Internacional de Bioéthique. Ganhou a honraria Doutor Honoris Causa da Universidade Técnica de Lisboa, da Estadual de Campinas (UNICAMP), da Universidade de Brasília (UnB), da Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Federal da Paraíba (UFPB), da Pierre Mendes France, da Estadual do Ceará, da Estadual de São Paulo (UNESP) e da Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em 1997, tornou-se um imortal da Academia Brasileira de Letras, tendo publicado, ao longo de sua vida, mais de trinta livros - dentre eles o célebre "Formação Econômica do Brasil", que acaba de completar 50 anos -, além de várias dezenas de ensaios e artigos, traduzidos em onze idiomas. Ainda em 1997, a Academia de Ciências do Terceiro Mundo instituiu o "Prêmio Celso Furtado", outorgado a cada dois anos a um cientista social do terceiro mundo. Tornou-se membro da Academia Brasileira de Ciências em 2003 e, ainda naquele ano, teve seu nome indicado para receber o Prêmio Nobel de Economia (Apud Fundação Joaquim Nabuco). Em 2005, foi criado o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Financiamento do Desenvolvimento.

A homenagem prestada a Celso Furtado nesta edição do Prêmio Nacional de Desenvolvimento Regional, portanto, é mais do que justa, devido à herança intelectual e política deixada por ele tanto para o Brasil, como também para toda a América Latina. A vida e obra de Furtado alcançaram e continuarão a alcançar várias gerações, abrangendo desde economistas até líderes políticos de todos os países latino-americanos.

Sua obra é de suma importância, pois vai "além de outras interpretações da realidade brasileira, não porque seja teoricamente superior, senão porque foi escrita in actione. Enquanto as obras anteriores explicaram e construíram o país do passado, a de Furtado explica e constrói o Brasil de seus dias" (Apud Academia Brasileira de Letras). Essa peculiaridade a respeito do autor torna-o singular, no sentido de que seu enfoque sempre foi voltado à superação do subdesenvolvimento e sua visão de mundo esteve permanentemente centrada na adequação dos projetos nacionais às características dos países da América Latina. Por essa razão, Furtado teve participação imprescindível na criação e execução de instituições cujos objetivos se pautavam no desenvolvimento autônomo e equitativo da América Latina. Notáveis também foram seus esforços direcionados ao desenvolvimento de sub-regiões extremamente empobrecidas. O exemplo mais contundente desses esforços foi sua atuação constante e incansável como superintendente da SUDENE, onde trabalhou em prol do desenvolvimento regional.

Sua luta esteve constantemente voltada para a minimização das diferenças entre "centro" e "periferia" e para a necessidade de distinção no tratamento de economias desenvolvidas e subdesenvolvidas. A relevância de Furtado se dá no fato de o autor não ter ignorado nem subestimado as especificidades do subdesenvolvimento. O nome de Celso Furtado representa um legado o qual é não só atual, porque trata de problemas que ainda persistem, como também é indispensável para a compreensão da realidade "deste grande país que é o Brasil" (FURTADO, 2004).