Entenda os desastres

Publicação: 20/09/2012 | 19:12

Última modificação: 20/05/2015 | 19:19

CODIFICAÇÃO BRASILEIRA DE DESASTRES (COBRADE)

1. NATURAIS
1. GEOLÓGICOS
1.1.1 Terremoto
1.1.1.1.0 Tremor de terra
Vibrações do terreno que provocam oscilações verticais e horizontais na superfície da Terra (ondas sísmicas). Pode ser natural (tectônica) ou induzido (explosões, injeção profunda de líquidos e gás, extração de fluídos, alivio de carga de minas, enchimento de lagos artificiais).

1.1.1.2.0 Tsunami
Série de ondas geradas por deslocamento de um grande volume de água causado geralmente por terremotos, erupções vulcânicas ou movimentos de massa.

1.1.2.0.0 Emanações vulcânicas
Produtos/materiais vulcânicos lançados na atmosfera a partir de erupções vulcânicas.

1.1.3 Movimentos de massa
1.1.3.1 Quedas, tombamentos e rolamentos
1.1.3.1.1 Blocos
As quedas de blocos são movimentos rápidos e acontecem quando materiais rochosos diversos e de volumes variáveis se destacam de encostas muito íngremes, num movimento tipo queda livre.
Os tombamentos de blocos são movimento de massa em que ocorre a rotação de um bloco de solo ou rocha em torno de um ponto ou abaixo do centro de gravidade da massa desprendida.
Rolamentos de blocos são movimentos de blocos rochosos ao longo de encostas, que ocorre geralmente pela perda de apoio (descalçamento).

1.1.3.1.2 Lascas
As quedas de lascas são movimentos rápidos e acontecem quando fatias delgadas formadas pelos fragmentos de rochas se destacam de encostas muito íngremes, num movimento tipo queda livre.

1.1.3.1.3 Matacões
Os rolamentos de matacões são caracterizados por movimentos rápidos e acontecem quando materiais rochosos diversos e de volumes variáveis se destacam de encostas e movimentam-se num plano inclinado.

1.1.3.1.4 Lajes
As quedas de lajes são movimentos rápidos e acontecem quando fragmentos de rochas extensas de superfície mais ou menos plana e de pouca espessura se destacam de encostas muito íngremes, num movimento tipo queda livre.

1.1.3.2 Deslizamentos
1.1.3.2.1 Deslizamentos de solo e ou rocha
São movimentos rápidos de solo e ou rocha, apresentando superfície de ruptura bem definida, de duração relativamente curta, de massas de terreno geralmente bem definidas quanto ao seu volume, cujo centro de gravidade se desloca para baixo e para fora do talude. Frequentemente, os primeiros sinais deste movimento são a presença de fissuras.

1.1.3.3 Corridas de massa
1.1.3.3.1 Solo/Lama
Ocorrem quando, por índices pluviométricos excepcionais, o solo/lama, misturado com a água, tem comportamento de líquido viscoso, de extenso raio de ação e alto poder destrutivo.

1.1.3.3.2 Rochas/Detritos
Ocorrem quando, por índices pluviométricos excepcionais, rocha/detrito, misturado com a água, tem comportamento de líquido viscoso, de extenso raio de ação e alto poder destrutivo.

1.1.3.4.0 Subsidências e colapsos
Afundamento rápido ou gradual do terreno devido ao colapso de cavidades, redução da porosidade do solo ou deformação de material argiloso.

1.1.4 Erosão
1.1.4.1.0 Erosão costeira/marinha
Processo de desgaste (mecânico ou químico) que ocorre ao longo da linha da costa (rochosa ou praia) e se deve à ação das ondas, correntes marinhas e marés.

1.1.4.2.0 Erosão de margem fluvial
Desgaste das encostas dos rios que provoca desmoronamento de barrancos.

1.1.4.3 Erosão continental
1.1.4.3.1 Laminar
Remoção de uma camada delgada e uniforme do solo superficial provocada por fluxo hídrico não concentrado.

1.1.4.3.2 Ravinas
Evolução, em tamanho e profundidade, da desagregação e remoção das partículas do solo de sulcos provocada por escoamento hídrico superficial concentrado.

1.1.4.3.3 Boçorocas
Evolução do processo de ravimento, em tamanho e profundidade, em que a desagregação e remoção das partículas do solo é provocada por escoamento hídrico superficial e subsuperficial (escoamento freático) concentrado.

2. HIDROLÓGICOS
1.2.1.0.0 Inundações
Submersão de áreas fora dos limites normais de um curso de água em zonas que normalmente não se encontram submersas. O transbordamento ocorre de modo gradual, geralmente ocasionado por chuvas prolongadas em áreas de planície.

1.2.2.0.0 Enxurradas
Escoamento superficial de alta velocidade e energia, provocado por chuvas intensas e concentradas, normalmente em pequenas bacias de relevo acidentado. Caracterizada pela elevação súbita das vazões de determinada drenagem e transbordamento brusco da calha fluvial. Apresenta grande poder destrutivo.

1.2.3.0.0 Alagamentos
Extrapolação da capacidade de escoamento de sistemas de drenagem urbana e consequente acúmulo de água em ruas, calçadas ou outras infraestruturas urbanas, em decorrência de precipitações intensas.

3. METEOROLÓGICOS
1.3.1 Sistemas de grande escala / escala regional
1.3.1.1 Ciclones
1.3.1.1.1 Ventos Costeiros (mobilidade de dunas)
Intensificação dos ventos nas regiões litorâneas, movimentando dunas  de areia sobre construções na orla.

1.3.1.1.2 Marés de tempestades (ressacas)
São ondas violentas que geram uma maior agitação do mar próximo à praia. Ocorrem quando rajadas fortes de vento fazem subir o nível do oceano em mar aberto e essa intensificação das correntes marítimas carrega uma enorme quantidade de água em direção ao litoral. Em consequência, as praias inundam, as ondas se tornam maiores e a orla pode ser devastada alagando ruas e destruindo edificações.

1.3.1.2.0 Frentes frias / Zona de convergência
Frente fria é uma massa de ar frio que avança sobre uma região provocando queda brusca da temperatura local, com período de duração inferior à friagem.
Zona de convergência é uma região que está ligada a tempestade causada por uma zona de baixa pressão atmosférica, provocando forte deslocamento de uma massa de ar, vendavais, chuvas intensas e até queda de granizo.

1.3.2 Tempestades
1.3.2.1 Tempestade local/Convectiva
1.3.2.1.1 Tornados
Coluna de ar que gira de forma violenta e muito perigosa, estando em contato com a terra e a base de uma nuvem de grande desenvolvimento vertical. Essa coluna de ar pode percorrer vários quilômetros e deixa um rastro de destruição por este caminho percorrido.

1.3.2.1.2 Tempestade de raios
Tempestade com intensa atividade elétrica no interior das nuvens, com grande desenvolvimento vertical.

1.3.2.1.3 Granizo
Precipitação de pedaços irregulares de gelo.

1.3.2.1.4 Chuvas intensas
São chuvas que ocorrem com acumulados significativos causando múltiplos desastres (ex. inundações, movimentos de massa, enxurradas etc.).
¿
1.3.2.1.5 Vendaval
Forte deslocamento de uma massa de ar em uma região.

1.3.3 Temperaturas extremas
1.3.3.1.0 Onda de calor
É um período prolongado de tempo excessivamente quente e desconfortável, onde as temperaturas ficam acima de um valor normal esperado para aquela região em determinado período do ano. Geralmente é adotado um período mínimo de três dias com temperaturas 5º C acima dos valores máximos médios.

1.3.3.2 Onda de frio
1.3.3.2.1 Friagem
Período de tempo que dura no mínimo de três a quatro dias onde os valores de temperatura mínima do ar ficam abaixo dos valores esperados de temperatura para determinada região em um período do ano.

1.3.3.2.2 Geadas
Formação de uma camada de cristais de gelo na superfície ou na folhagem exposta.

4. CLIMATOLÓGICOS
1.4.1 Seca
1.4.1.1.0 Estiagem
Período prolongado de baixa pluviosidade ou sua ausência, em que a perda de umidade do solo é superior à sua reposição.

1.4.1.2.0 Seca
A seca é uma estiagem prolongada durante tempo suficiente, para que a falta de precipitação provoque grave desequilíbrio hidrológico.

1.4.1.3 Incêndio Florestal
1.4.1.3.1 Incêndios em Parques, Áreas de Proteção Ambiental e Áreas de Preservação Permanente Nacionais, Estaduais ou Municipais;
Propagação de fogo sem controle, em qualquer tipo de vegetação situada em áreas legalmente protegidas.

1.4.1.3.2 Incêndios em áreas não protegidas, com reflexos na qualidade do ar
Propagação de fogo sem controle, em qualquer tipo de vegetação que não se encontre em áreas sob proteção legal, acarretando em queda da qualidade do ar.
1.4.1.4.0 Baixa umidade do ar
Queda da taxa de vapor d¿água suspensa na atmosfera para níveis abaixo de 20 por cento.

5. BIOLÓGICOS
1.5.1 Epidemias
1.5.1.1.0 Doenças infecciosas virais
Aumento brusco, significativo e transitório da ocorrência de doenças infecciosas geradas por vírus.

1.5.1.2.0 Doenças infecciosas bacterianas
Aumento brusco, significativo e transitório da ocorrência de doenças infecciosas geradas por bactérias.

1.5.1.3.0 Doenças infecciosas parasíticas
Aumento brusco, significativo e transitório da ocorrência de doenças infecciosas geradas por parasitas.

1.5.1.4.0 Doenças infecciosas fúngicas

Aumento brusco, significativo e transitório da ocorrência de doenças infecciosas geradas por fungos.

1.5.2 Infestações/Pragas
1.5.2.1.0 Infestações de animais
Infestações por animais que alterem o equilíbrio ecológico de uma região, bacia hidrográfica ou Bioma afetado por sua ação predatória.

1.5.2.2 Infestações de algas
1.5.2.2.1 Marés vermelhas
Aglomeração de microalgas em água doce ou em água salgada suficiente para causar alterações físicas, químicas ou biológicas em sua composição, caracterizada por uma mudança de cor, tornando-se amarela, laranja, vermelha ou marrom.

1.5.2.2.2 Cianobactérias em reservatórios
Aglomeração de cianobactérias em reservatórios receptores de descargas de dejetos domésticos, industriais e/ou agrícolas, provocando alterações das propriedades físicas, químicas ou biológicas da água.

1.5.2.3.0 Outras Infestações
Infestações que alterem o equilíbrio ecológico de uma região, bacia hidrográfica ou bioma afetado por sua ação predatória.

2. TECNOLÓGICOS
1. DESASTRES RELACIONADOS A SUBSTÂNCIAS RADIOATIVAS
2.1.1 Desastres siderais com riscos radioativos
2.1.1.1.0 Queda de satélite (radionuclídeos)
Queda de satélites que possuem na sua composição motores ou corpos radioativos e que podem ocasionar a liberação deste material.

2.1.2 Desastres com substâncias e equipamentos radioativos de uso em pesquisas, indústrias e usinas nucleares
2.1.2.1.0 Fontes radioativas em processos de produção
Escapamento acidental de radiação que excede os níveis de segurança estabelecidos na norma NN 3.01/006:2011 da CNEN.

2.1.3 Desastres relacionados com riscos de intensa poluição ambiental provocada por resíduos radioativos
2.1.3.1.0 Outras fontes de liberação de radionuclídeos para o meio ambiente
Escapamento acidental ou não acidental de radiação originária de fontes radioativas diversas e que excede os níveis de segurança estabelecidos na norma NN 3.01/006:2011 e NN 3.01/011:2011 da CNEN.

2. DESASTRES RELACIONADOS A PRODUTOS PERIGOSOS
2.2.1 Desastres em plantas e distritos industriais, parques e armazenamentos com extravasamento de produtos perigosos
2.2.1.1.0 Liberação de produtos químicos para a atmosfera causada por explosão ou incêndio
Liberação de produtos químicos diversos para o ambiente provocada por Explosão/incêndio em plantas industriais ou outros sítios.

2.2.2 Desastres relacionados à contaminação da água
2.2.2.1.0 Liberação de produtos químicos nos sistemas de água potável
Derramamento de produtos químicos diversos em um sistema de abastecimento de água potável, que pode causar alterações nas qualidades físicas, químicas, biológicas.

2.2.2.2.0 Derramamento de produtos químicos em ambiente lacustre, fluvial, marinho e aquíferos
Derramamento de produtos químicos diversos em lagos, rios, mar e reservatórios subterrâneos de água, que pode causar alterações nas qualidades físicas, químicas, biológicas.

2.2.3 Desastres relacionados a Conflitos Bélicos
2.2.3.1.0 Liberação de produtos químicos e contaminação como consequência de ações militares.
Agente de natureza nuclear ou radiológica, química ou biológica, considerado como perigoso, e que pode ser utilizado intencionalmente por terroristas ou grupamentos militares em atentados ou em caso de guerra.

2.2.4 Desastres relacionados a transporte de produtos perigosos
2.2.4.1.0 Transporte rodoviário
Extravasamento de produtos perigosos transportados no modal rodoviário.

2.2.4.2.0 Transporte ferroviário
Extravasamento de produtos perigosos transportados no modal ferroviário.

2.2.4.3.0 Transporte aéreo
Extravasamento de produtos perigosos transportados no modal aéreo.

2.2.4.4.0 Transporte dutoviário
Extravasamento de produtos perigosos transportados no modal dutoviário.

2.2.4.5.0 Transporte marítimo
Extravasamento de produtos perigosos transportados no modal marítimo.

2.2.4.6.0 Transporte aquaviário
Extravasamento de produtos perigosos transportados no modal aquaviário.

3. DESASTRES RELACIONADOS A INCÊNDIOS URBANOS
2.3.1 Incêndios urbanos
2.3.1.1.0 Incêndios em plantas e distritos industriais, parques e depósitos;
Propagação descontrolada do fogo em plantas e distritos industriais, parques e depósitos.

2.3.1.2.0 Incêndios em aglomerados residenciais
Propagação descontrolada do fogo em conjuntos habitacionais de grande densidade.

4. DESASTRES RELACIONADOS A OBRAS CIVIS
2.4.1.0.0 Colapso de edificações
Queda de estrutura civil.
 
2.4.2.0.0 Rompimento / colapso de barragens
Rompimento ou colapso de barragens.

5. DESASTRES RELACIONADOS A TRANSPORTE DE PASSAGEIROS E CARGAS NÃO PERIGOSAS
2.5.1.0.0 Transporte rodoviário
Acidente no modal rodoviário envolvendo o transporte de passageiros ou cargas não perigosas.

2.5.2.0.0 Transporte ferroviário
Acidente com a participação direta de veículo ferroviário de transporte de passageiros ou cargas não perigosas.

2.5.3.0.0 Transporte aéreo
Acidente no modal aéreo envolvendo o transporte de passageiros ou cargas não perigosas.

2.5.4.0.0 Transporte marítimo
Acidente com embarcações marítimas destinadas ao transporte de passageiros e cargas não perigosas.

2.5.5.0.0 Transporte aquaviário
Acidente com embarcações destinadas ao transporte de passageiros e cargas não perigosas.